Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2007
Os mistérios da criação

Trouxeram-lhe rosas brancas com gotas de orvalho dessa manhã.

 

O sol brilhava, entrava por todas as pequenas frestas, inundando tudo com a sua luz radiosa, acalmando-lhe o corpo e excitando-lhe a alma de emoções.

 

Sorria, saudando tudo o que parecesse de amores fugazes ou não, paixões mais ou menos fortes, de vidas partilhadas com prazer.

 

As gotas brilhavam de alegria, dançavam aos seus olhos, mostrando toda a grandeza involuntária da Natureza.

 

A impotência era tamanha! Não podia lutar contra o que não domina. Também não podia esconder, nunca mais.

 

O amor era maravilhoso demais para recusar.

 

Resignou-se e aceitou calmamente o sentimento que lhe corroía o ser em sonhos, que a impedia de deixar de sorrir.

 

As rosas brancas faziam-na ter a certeza de que já não podia fugir daquilo que tanto a assustava, daquilo que ela tentava em vão renegar.

 

Sentia-se rebentar de felicidade.

 

Saiu ao encontro da metade de si.

 

O sol queimava. Ou seria o desejo? O desejo de mostrar a todos que amava queimava-lhe o coração ao ponto de querer gritar aos quatro ventos que amava. Já não queria disfarçar. Assumia-se totalmente, nada temendo. Como era bom! Agora compreendia os que a rodeiam, fazendo alarde dos seus sentimentos.

 

Do alto do telhado onde se encontrava podia abraçar o mundo. Queria abraçar o mundo!

 

A noite tinha sido grande demais para se dar ao luxo de desperdiçar o sol que agora despontava.

 

Espreguiçou-se, deitando fora a capa negra que a cobria, escondendo-a num canto recôndito onde não a podia ver.

 

Tinha chegado a hora de se ondular com o vento, esperando que a levasse à sua metade, dançando sempre.

 

As aves cantavam com prazer anunciando a vida que despontava naquela metade de alguém, naquele ser incompleto, inacabado propositadamente aquando da concepção do mundo.

 

Os mistérios da vida podem tanto! Tinha sido livre até agora e estava prestes a prender-se voluntariamente, sem nada perguntar nem questionar. Parecia uma semente, voando sem destino até cair no chão, enterrando-se para que as flores nascessem. As suas flores eram das mais variadas cores e formas, formando vários canteiros num só, alimentando de vida as mais estranhas criaturas.

 

Foi levada pelo vento sem rumo aparente. A sua metade havia de aparecer.

 

Juntar-se-iam, então, num só, fruto do amor que lhes tinha sido destinado no início, felizes sem nada saberem dos mistérios existenciais. Rujubilariam de unidade, sentindo-se cheios de si, completos, sem necessidade de outros que não eles próprios.

 

E toda a existência seria completa...



publicado por petitrien às 19:29
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